Chá Gong Fu e foco no coração - quando a preparação do chá se torna um exercício de atenção

Nesta série : Voie du thé — l'attention servie dans une tasse· Etapa 2/3

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Chá Gong Fu e foco no coração - quando a preparação do chá se torna um exercício de atenção
Ilustração : Mei Arakawa

Gong Fu (工夫) não significa "experiente". A palavra designa o tempo, o esforço e o cuidado que se coloca em algo. O Gong Fu Cha, é portanto "o chá feito com coração" - e esta maneira chinesa de preparar um chá, gesto após gesto, é talvez uma das mais doces escolas de atenção que existem.

O termo antes da prática

O Gong Fu Cha (功夫茶) é frequentemente traduzido por "chá de mestre" ou "chá técnico". Essas traduções são incompletas. O caractere 工夫 (gongfu) - que também se encontra em 功夫, kung-fu, a maestria marcial - não designa primeiro a virtuosidade. Ele designa o tempo concedido a uma coisa, o esforço paciente, a aplicação com o coração. Fazer algo "em gong fu" é fazê-lo lentamente, inteiramente, sem precipitar nada.

O Gong Fu Cha, então, não é "o chá dos especialistas". É o chá que se prepara estando realmente nele. A diferença com um chá ocidental não está nas folhas, nem mesmo nos utensílios: está no ritmo.

De onde vem

A tradição tal como é praticada hoje nasceu no sudeste da China, na região de Chaozhou (Guangdong) e Fujian, a partir do século XVII-XVIII. É lá que se encontram os oolongs mais concentrados - o Da Hong Pao do monte Wuyi, o Tieguanyin de Anxi, os Fenghuang Dan Cong de Chaozhou - e é para esses chás que o Gong Fu Cha foi aperfeiçoado. Um chá tão denso exige infusões muito curtas, muito numerosas, em pequenos recipientes: é a única maneira de revelar a trama.

A escola de Chaozhou permanece hoje uma das mais rigorosas; a de Taiwan e a de Fujian têm cada uma suas variantes, mais ou menos codificadas.

Os utensílios, no mínimo

Para começar, não é necessário um serviço em yixing raro:

  • Uma chaleira ou um gaiwan (盖碗, a pequena tigela com tampa) de pequena capacidade - 100 a 150 ml
  • Pequenas xícaras (30-50 ml) - uma por convidado
  • Uma chaleira, um jarro de partilha (公道杯, gōngdào bēi - a "xícara da justiça", que distribui equitativamente)
  • Água de qualidade - plana, pouco mineralizada
  • Um chá que mereça o gesto - um oolong, um pu-erh, um dan cong; é aí que se descobre porque tudo isso existe

O passo a passo de um Gong Fu (simplificado)

1. Acordar os utensílios. Derrama-se uma água fervente na chaleira, no jarro, nas xícaras - depois se joga fora. O calor impregna a porcelana. Este primeiro gesto serve para preparar o recipiente e para desacelerar a pessoa que prepara.

2. Dosar a folha. Um terço a metade do volume da chaleira em folhas secas - é muito mais do que um chá em saquinho. Para um gaiwan de 120 ml, aproximadamente 5 a 7 g.

3. Acordar a folha. Derrama-se a água quente, cobre-se por 5 segundos, joga-se fora. Este "enxágue" abre as folhas, libera as poeiras, prepara a infusão verdadeira.

4. Primeira infusão. Derrama-se a água à temperatura adequada (85-90°C para um oolong verde, 95-100°C para um oolong torrado ou um pu-erh). Muito curto: 10 a 20 segundos dependendo do chá. Derrama-se no jarro, depois nas xícaras.

5. Beber, escutar. Segura-se a xícara com dois dedos, respira-se o aroma úmido, bebe-se lentamente, sente-se o rastro (o que se chama huígān, 回甘 - o "retorno do doce", esta doçura que sobe do fundo da garganta após engolir).

6. Recomeçar. Um mesmo chá vai dar cinco, dez, às vezes quinze infusões - cada uma diferente. Aumenta-se ligeiramente cada vez (+5-10 segundos). O chá muda, abre-se, desdobra-se, depois refina-se.

O que acontece fora do chá

Aqui está o verdadeiro gesto: o Gong Fu Cha obriga a esperar. Entre cada infusão, há 30 segundos, um minuto em que não se faz nada a não ser estar lá, com as outras pessoas presentes ou sozinho consigo. Não se pode pressionar um chá que está infundindo; deve-se deixar-lhe o seu tempo.

Esta restrição estrutural transforma a preparação em exercício de atenção. O mental que normalmente salta de um ponto para outro é levado, gesto após gesto, a voltar para: a cor do líquido, o vapor, o cheiro da tampa, o peso da chaleira, a precisão do derramamento. É isso que os mestres chineses às vezes chamam de "coração focalizado" (专心, zhuānxīn - a atenção reunida em um ponto).

Não é uma meditação formal. É antes a postura meditativa invertida em gesto. O zen não se declara aqui; ele se pratica, discretamente, ao derramar.

Três erros a evitar no início

  • Folhas demais - um Gong Fu Cha exige uma dose generosa; o formato é curto, a concentração é alta
  • Infusão muito longa - os grandes períodos ocidentais (3-5 minutos) dão um chá amargo e sem nuances neste formato
  • Água muito quente para os oolongs verdes ou os chás delicados - mata-se o aroma

Por que começar

Porque nenhum outro gesto cotidiano instala tão rapidamente um estado de presença. Vinte minutos, uma pequena chaleira, um bom chá - e percebe-se que não olhou para o telefone nem uma vez, que respirou mais lentamente, que está um pouco mais presente do que antes.

Não é uma arte distante, reservada a conhecedores. É uma maneira de fazer chá com o coração, e está aberto a quem quiser se sentar por dez minutos.

Artigo produzido por inteligência artificial, revisto sob controlo editorial humano.

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Liang WeiArtes da Ásia & arte de viver
Passeur des arts d'Asie : thé, qi gong, calligraphie, feng shui, jardins.
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