Artes da Ásia yesterdayAdicionar aos favoritos

Existe em japonês uma palavra para essa luz - aquela que brinca entre os galhos, desenha manchas móveis no chão, muda a cada segundo. *Komorebi*. Um convite à lentidão, em três ideogramas.
木 (ko) - a árvore. 漏れ (more) - filtrar, escapar. 日 (bi/hi) - o sol, a luz do dia.
Juntos: 木漏れ日 (komorebi) - « a luz do sol que filtra através das folhas das árvores ». Uma palavra japonesa que não tem equivalente direto na maioria das línguas europeias. É preciso, em francês, uma frase inteira para dizer o que uma única palavra japonesa nomeia.
Isso revela algo da língua - e da cultura que a carrega: o que merece um nome, é o que se tem tempo de olhar.
O komorebi se insere em uma longa família de conceitos japoneses que celebram o efêmero - pensemos no mono no aware, essa melancolia doce diante da beleza que passa, ou no wabi-sabi, estética do imperfeito, do usado, do modesto.
O komorebi compartilha dessa família. Ele designa um fenômeno que nunca dura: a luz se move, as folhas farfalham, uma nuvem passa. O ponto dourado que se olha no chão não existirá mais em dez segundos. Seria preciso, para vê-lo, estar aqui, agora.
Talvez seja isso que a palavra ensina, antes mesmo de sua poesia: uma maneira de estar presente.
Você não precisa ir longe. Um parque no verão, um jardim, uma rua ladeada por árvores bastam.
É tudo. Não há nada a realizar. Você terá apenas, uma vez, deixado tempo para algo muito simples.
Não é uma técnica de meditação formal. Não é uma prática religiosa. É uma palavra que, em si, não faz nada.
Mas se a acolhemos, ela pode modificar discretamente o olhar. Começamos a ver a luz de outra maneira - no metrô que passa entre dois edifícios, em uma cortina que se move, no vapor acima de um chá.
Komorebi nos lembra uma evidência esquecida: o mundo não precisa ser espetacular para ser bonito. Basta que o olhemos.
Esta exploração se insere em nosso fio dedicado ao Japão como arte de viver. Continuaremos - ao longo das semanas - a visitar essas palavras que nomeiam o que sabemos ver, mas temos dificuldade em dizer.
Artigo produzido por inteligência artificial, revisto sob controlo editorial humano.
Japon — art de vivre et gestes saisonniers