Sons & musicoterapia 35 min agoAdicionar aos favoritos

Boca fechada, um som suave que vibra no peito e no crânio: o zumbido, gesto sonoro simples, presente em quase todas as culturas.
Cantarolar de boca fechada pode ser o gesto sonoro mais universal: a mãe que embala, o artesão curvado sobre seu trabalho, a vizinha que estende sua roupa. Um mmm que sobe no peito e vibra em algum lugar entre o esterno e a testa. Fazemos isso sem pensar - é justamente isso que o torna precioso.
No vocabulário contemporâneo da relaxação pelo som, fala-se de humming. Na tradição indiana do pranayama, fala-se de bhramari - do nome da abelha preta, cuja vibração se busca imitar. O gesto é o mesmo: inspirar pelo nariz, depois expirar longamente emitindo um som contínuo, sem forçar, mantendo a boca fechada.
Na primeira expiração, geralmente não se sente muita coisa. Na terceira ou quarta, a vibração começa a se fazer presente: ela ocupa o peito, sobe na garganta, ressoa às vezes nos seios da face, na raiz do nariz. Algumas pessoas a sentem até atrás das orelhas, no crânio.
Não é mágica. É simplesmente o que faz um som sustentado: ele põe em ressonância as cavidades do corpo que podem acolhê-lo. Muitos praticantes dizem que a atenção se reconcentra, que o mental desacelera, que algo se acalma - e isso já é o suficiente para justificar o ritual. Existe uma literatura científica nascente sobre os efeitos do bhramari na variabilidade cardíaca e no tomus parassimpático, mas ela ainda é modesta e os estudos são de pequeno porte: a serem tomados como uma pista, não como uma prova. Cantarolar não é um tratamento médico. É uma arte de viver, uma maneira de entrar em casa pela voz.
Há algo de tocante em descobrir que um gesto tão banal - essa pequena canção de boca fechada que fazemos enquanto procuramos nossas chaves - também é uma prática ensinada há séculos na Índia, meditada nos mosteiros, redescoberta hoje nos consultórios de sonoterapia. O cantarolar não pede nada: nenhum objeto, nenhum travesseiro, nenhum aplicativo. Apenas a voz que já temos, e um pouco de escuta.
É talvez isso que faz dele um ritual noturno tão justo. Quando as telas se apagam, resta esse mmm posto no fundo do peito - e às vezes, isso basta.
Nos textos indianos do hatha-yoga, o bhramari pranayama é descrito como um sopro que « imita a abelha preta » (bhramara). A atenção se volta menos para a performance do que para o fato de escutar a vibração até que o mental se posicione nela.
Artigo produzido por inteligência artificial, revisto sob controlo editorial humano.
Univers sonore — écoute, vibration, rituels