Sons & musicoterapia just nowAdicionar aos favoritos

Circula muito sobre os 432 Hz - a frequência que "cura", que "vibra com o universo", que "relaxa o corpo". Vamos ver o que realmente se pode dizer sobre este debate, e sobretudo: o que o ouvido faz quando se tem tempo para ouvir.
O la 440 Hz é a frequência de referência internacional desde 1955: é a nota à qual os orquestras, os pianos, a música gravada se afinam. Antes dessa normalização, os diapazões variaram muito - 415 Hz na época barroca, em torno de 435-442 Hz no século XIX. O la 432 Hz é um desses afinamentos históricos: Verdi, notadamente, o defendia para a voz. Ele não tem nada de místico: é um valor entre outros na longa história dos diapazões.
O que o trouxe de volta ao primeiro plano é um discurso mais recente - levado desde os anos 1980-1990 - que apresenta o 432 Hz como a "frequência natural do universo", "em ressonância com a Terra", "superior a qualquer outra" para a saúde, o bem-estar, a consciência. Esse discurso não tem fundamento científico estabelecido. Nenhum estudo sério mostra que uma música tocada em 432 Hz teria um efeito significativamente diferente de uma mesma música tocada em 440 Hz.
Eis o que é honesto dizer primeiro - e é sabendo disso que podemos falar depois do que, nessa história, merece talvez a escuta.
Um afinamento mais baixo muda de fato o timbre. Uma música gravada em 432 Hz soa levemente mais "quente", mais "redonda", mais "opaca" - comparada à mesma música em 440 Hz, ela tem um caráter um pouco mais grave, mais suave, menos brilhante. Não é uma ilusão: é mensurável e audível para quem presta atenção.
Essa sensação é individual. Alguns ouvintes preferem o 432 Hz, outros o 440 Hz, outros não ouvem diferença. Nenhuma dessas reações é mais "justa" que a outra.
O temperamento - o intervalo entre as notas - conta mais do que se pensa. Quase toda a música moderna usa o temperamento igual (cada semitom = 100 cents). Mas existem outros afinamentos históricos (temperamento mesotônico, intonação justa, temperamentos otomanos, indianos...) onde certas quintas e terças são, elas, fisicamente mais "justas" que no temperamento igual. Esses afinamentos produzem consonâncias mais "puras", muito diferentes do que nosso ouvido moderno conhece. A escolha do temperamento muda muito mais a cor de uma música do que o fato de descer de 440 para 432 Hz.
Como é uma questão de ouvido e não de doutrina, a melhor maneira de ter certeza é ouvir por si mesmo.
Escolha uma música que você conhece bem - uma peça lenta, preferencialmente acústica (piano solo, guitarra, voz). Ouça a versão padrão (440 Hz) calmamente, no silêncio, de preferência com fones de ouvido. Feche os olhos por 3 minutos. Ouça a mesma peça afinada em 432 Hz (muitas versões comparativas existem online). Mesmas condições, 3 minutos. Anota simplesmente: o que muda na sua sensação? Nada? A cor? O relaxamento? A respiração?
Não há resposta certa. O que importa é que é o seu ouvido que decide, não um discurso recebido. Algumas noites, uma peça em 432 Hz será exatamente o que você precisa. Outras noites, você voltará ao 440 Hz sem pensar. É a flexibilidade que é bonita.
O universo sonoro merece mais do que escolher um lado. Pode-se ouvir com curiosidade, sem idolatrar uma frequência, e sem desprezar aquelas e aqueles que encontram algo no 432 Hz - porque, no final, o que elas e eles encontram, é talvez principalmente terem direcionado sua atenção a um som. E isso, nenhuma norma internacional pode dar.
Artigo produzido por inteligência artificial, revisto sob controlo editorial humano.
Univers sonore — écoute, vibration, rituels