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Pequenas chaleiras, xícaras minúsculas, gestos repetidos: o Gong Fu Cha não é um ritual espetacular, é um longo exercício de atenção. Viagem a Chaozhou, berço de uma maneira de beber chá que leva seu tempo.
Há, na China, uma maneira de preparar chá que não tem nada de solene. Não se usa um traje de cerimônia; não se recita um texto. Senta-se diante de um pequeno tabuleiro de madeira riscado, aquece-se uma pequena chaleira, esvazia-se, enche-se, re-esvazia-se. Os gestos são modestos, quase monótonos. E, no entanto, uma hora depois, levanta-se um pouco diferente: mais lento, mais atento, menos apressado em terminar o dia.
Esta maneira de preparar chama-se 功夫茶 - gōngfū chá - que se traduz habitualmente por chá com esforço e paciência. Gōngfū (功夫) não significa « artes marciais »: é a palavra chinesa para qualquer habilidade adquirida pelo trabalho repetido - a caligrafia, a cozinha, a dança. Aplicado ao chá, designa a arte de infundir lentamente, muitas vezes, em pouca água, com muitas folhas, prestando atenção igual a cada etapa.
O berço do Gong Fu Cha não é Pequim, nem Xangai. É Chaozhou (潮州), uma cidade de água e canais do leste do Guangdong, a algumas centenas de quilómetros de Hong Kong. Os Teochew (潮州人) - a diáspora que se espalhou de Chaozhou para Singapura, a Malásia e a Tailândia - levaram o seu estilo de infusão para todo o lado onde iam. Refinou-se lá, nos séculos XVII-XVIII, em torno de um chá de terroir: o Phoenix Dan Cong (凤凰单丛), um oolong das montanhas de Fenghuang, cujas árvores velhas dão chá com aromas como frutas maduras.
Este Gong Fu Cha « de Chaozhou » distingue-se de um Gong Fu Cha mais geral, difundido noutros lugares da China, por uma coisa: a chaleira é de zhuni (朱泥), uma argila vermelha muito fina, minúscula (geralmente 60 a 100 ml), e as taças são ainda mais pequenas - três taças, uma por convidado, ou por turno. O gesto prende-se à chaleira, que se torna o objeto central da mesa.
O princípio é simples de descrever, menos fácil de fazer:
O tabuleiro de madeira (chá pán 茶盘) recolhe a água que transborda; pode-se regar a chaleira para a manter quente. Nada se perde, nada é limpo: a água escorre, goteja, junta-se.
Um bom Phoenix Dan Cong ou um Tieguanyin (铁观音) aguenta facilmente 8 a 12 infusões curtas. Cada chávena tem um carácter diferente: as primeiras são florais, as seguintes mais redondas, as últimas minerais. O Gong Fu Cha não é uma maneira de chegar mais depressa ao aroma: é uma maneira de o ver mudar.
Para um leitor apressado, a questão surge depressa: porque fazer tudo isso, quando se poderia pôr três gramas de folhas numa grande chaleira e fazer outra coisa enquanto infunde? Os praticantes respondem todos mais ou menos a mesma coisa: não é uma maneira mais eficiente de fazer chá, é uma maneira mais lenta, de propósito.
A palavra gōngfū diz-o. Uma habilidade que exige tempo. Repete-se o mesmo gesto - verter, escorrer, servir, beber - até que o gesto se torne fluido, depois, um dia, quase invisível. Não é um exercício espiritual oficial; é um exercício de presença discreto, feito enquanto se faz outra coisa (receber um amigo, ouvir música, falar negócios, ou simplesmente estar sozinho).
Muitos praticantes contemporâneos - e vários textos que associam o Gong Fu Cha à sensibilidade chán (禅), a escola budista chinesa da qual o zen japonês é herdeiro - descrevem a mesma experiência: a força de repetir os mesmos gestos mínimos, a mente que corre acaba por abrandar. Não porque o chá « faça alguma coisa », mas porque se está ocupado a fazer alguma coisa de simples, bem.
Um texto recente de um mestre de chá, publicado pelo Path of Cha, chama-lhe « the art of being bored » - a arte de estar entediado. A fórmula é bela e voluntariamente provocadora. Quer dizer: aceitar que nada de espectacular aconteça. O chá não vai mudar a vida numa sessão. Os gestos não são muito interessantes. As infusões parecem todas iguais. E é precisamente em aguentar este « tédio aparente » que se descobrem, chávena após chávena, as mudanças ínfimas do aroma, a maneira como a água quente nos aquece a palma da mão, a voz um pouco mais calma da pessoa sentada em frente.
Nada de místico nisto - uma forma de treino para a paciência, para a conversa lenta, para a observação gratuita. É uma arte de viver, não um tratamento.
Pode-se fazer Gong Fu Cha sem comprar objetos raros. O kit mínimo cabe num suporte de chávena:
Depois, o gesto:
Se és principiante, o gaiwan é um melhor ponto de entrada do que a chaleira de barro. Não absorve nada, lava-se facilmente, e permite provar a mesma folha sem que um chá anterior não prejudique o seguinte. As chaleiras Yixing ou zhuni, muito absorventes, são dedicadas a um único tipo de chá - é um compromisso, não uma primeira compra.
Uma palavra finalmente sobre os mal-entendidos.
O Gong Fu Cha não é a cerimónia do chá japonesa (chanoyu* 茶の湯). A cerimónia japonesa, com o seu chá verde batido matcha* e a sua coreografia precisa, é uma arte distinta, nascida num contexto diferente (o zen dos mosteiros Rinzai, a codificação por Sen no Rikyū no século XVI). As duas tradições respondem-se - o Gong Fu Cha provavelmente influenciou a sensibilidade que deu origem ao chanoyu - mas não se confundem.
O Gong Fu Cha não é tampouco um « chá medicinal ». Não se faz Gong Fu Cha para se curar ou para atingir um estado. Bebe-se um bom chá, lentamente, em pequenas taças, porque é agradável e acalma. O resto - atenção, calma, prazer de receber - vem sozinho, como acompanhamento.
É este acompanhamento, tranquilo e duradouro, que o caminho do chá propõe: não um remédio, mas uma companhia. Um gesto que se pode repetir todos os dias, quando se quiser, sem ter de acreditar nele.
Artigo produzido por inteligência artificial, revisto sob controlo editorial humano.