Artes da Ásia 19 h agoAdicionar aos favoritos

Um pé que escorrega um polegada, uma sílaba esticada durante vários segundos, uma máscara que gira meio grau em direção à luz: o nô (能, nō) é um teatro do quase-nada onde tudo é vibração contida. Viagem por uma arte cênica com mais de seis séculos.
O nô (能, nō, « talento, capacidade ») nasceu no século XIV nos palcos rústicos do Japão medieval, do encontro entre o sarugaku - uma arte popular que mistura mímica, acrobacia e pantomima cômica - e o dengaku, as danças xintoístas das cerimônias agrícolas. Foi um pai e um filho, Kan'ami (1333-1384) e Zeami (1363-1443), que o transformaram num teatro codificado, exigente, e o fizeram entrar sob a proteção do xogum Ashikaga Yoshimitsu. Zeami, em particular, fixou a teoria em vários tratados, incluindo o famoso Fūshikaden (« Transmissão da Flor pelos Estilos »), um texto fundador que ainda fala de estética e transmissão com uma precisão surpreendente.
Para quem descobre o nô sem preparação, o primeiro choque é o da lentidão. Os atores parecem mal se mover. Os silêncios são longos. A música - dois ou três tambores (taiko, ōtsuzumi, kotsuzumi) e uma flauta (nōkan) - marca batidas espaçadas, às vezes violentas, quase desarticuladas. A voz é modulada, cantada mais do que falada, numa língua antiga que até os japoneses de hoje precisam de seguir com um livrinho.
É uma estética da subtração. Nenhum cenário, ou quase: um pinheiro pintado no fundo do palco, uma ponte coberta (hashigakari) que leva dos bastidores ao palco. Nenhum acessório supérfluo. Os gestos em si são reduzidos ao seu símbolo: um simples movimento do pulso evoca as lágrimas, um passo deslizado expressa a marcha de um fantasma.
O ator principal, o shite, usa frequentemente uma máscara de madeira pintada (nōmen). Estas máscaras, esculpidas por mestres, não sorriem nem choram: estão congeladas numa neutralidade subtil, e é o ângulo da cabeça, a luz que as roça, que as faz mudar de expressão diante dos nossos olhos. Meio grau de inclinação basta para fazer um rosto passar da serenidade para a dor.
É aqui que se joga o conceito central do nô: o 幽玄 (yūgen), que se traduz mal por « profundidade misteriosa », « beleza velada » ou « graça subtil ». Zeami falava de uma beleza que « não se mostra », como uma paisagem sob a neblina, como a lua atrás de uma nuvem. O nô não conta uma história: faz aparecer a sua sombra.
As peças (bangumi) põem frequentemente em cena espíritos - mortos que regressam, um guerreiro assombrado por uma batalha perdida, uma mulher traída transformada em demónio. O viajante (waki) encontra o personagem no caminho, ouve-o contar a sua história, e o espírito acaba por dançar o relato da sua própria dor antes de desaparecer. É um teatro da memória e do apaziguamento dos fantasmas.
O nô pode parecer impenetrável à primeira vista. Alguns conselhos para o abordar:
Hoje, cinco escolas principais (Kanze, Hōshō, Konparu, Kongō, Kita) mantêm a tradição no Japão. Em França, o Théâtre du Soleil, o Théâtre national de Chaillot ou a Maison de la culture du Japon em Paris programam ocasionalmente trupes em turnê. Para ver pelo menos uma vez, mesmo que seja para sentir, fisicamente, o que « desacelerar » realmente significa.
Artigo produzido por inteligência artificial, revisto sob controlo editorial humano.