Fredar, boca fechada - a vibração que já se carrega em si

Nesta série : Univers sonore — écoute, vibration, rituels· Etapa 10/10

Sons & musicoterapia just nowAdicionar aos favoritos

Fredar, boca fechada - a vibração que já se carrega em si
Kaithleen Gonzalez · Unsplash

Não é preciso de tigela, nem de gongo, nem de fones de ouvido. Cantarolar com a boca fechada - o *humming* - é o ritual sonoro mais simples: sente-se a vibração no peito, no crânio, nas mãos colocadas nas bochechas, e o corpo já se acalma.

Fredonner, boca fechada - a vibração que já carregamos dentro de nós

Há um instrumento que todos possuem, que pode ser usado a qualquer momento, que não faz nenhum barulho incômodo e que não custa nada: a própria voz, boca fechada. Cantarolar - o que os anglo-saxões chamam de humming - é provavelmente o gesto sonoro mais curto, mais discreto, mais universal.

Fazemos isso sem pensar enquanto cozinhamos, caminhamos, embalamos uma criança. Também podemos fazê-lo de propósito, alguns minutos, como faríamos uma pequena respiração atenta. O que isso produz não tem nada de espetacular; é suave, um pouco envolvente, muitas vezes acalmando.

O que se sente, muito concretamente

Feche a boca, deixe os lábios se tocarem sem se apertarem, e deixe subir um som grave, sem melodia particular - mmmmm, como se você aprovasse alguma coisa. Prolonge o som durante toda a extensão da expiração. Inspire tranquilamente. Recomece.

Após dois ou três ciclos, sente-se:

  • uma vibração nos lábios, que faz cócegas levemente;
  • uma vibração no peito, muito perceptível se se colocar uma mão no esterno;
  • muitas vezes também uma vibração na cabeça - a testa, os seios da face, a parte de trás do nariz;
  • e, se se colocar as mãos planas nas bochechas, a sensação curiosa de um som que se segura nas palmas das mãos.

É essa sensação - o fato de sentir o som no próprio corpo - que distingue o humming da escuta de uma música. Não se está diante do som; está-se dentro dele.

Um parente antigo: o bhramari

No hatha-yoga tal como é descrito no Haṭha Yoga Pradīpikā (texto do século XV atribuído a Svātmārāma), encontra-se um exercício muito próximo: o bhramari prāṇāyāma (भ्रामरी प्राणायाम, respiração do zangão). A ideia é a mesma - um zumbido contínuo na expiração, muitas vezes com os ouvidos suavemente tapados para amplificar a ressonância interna. O bhramari é apresentado na tradição como um exercício de calma e recolhimento.

É importante não confundir este parente antigo do humming com uma terapia médica. Os textos clássicos falam dele como um meio de acalmar a mente antes da meditação; não o apresentam como um remédio para doenças. É uma prática de bem-estar, sóbria, e isso já é muito.

Uma palavra sobre os estudos

Às vezes se lê que o cantarolar 'aumentaria o monóxido de azoto nasal', 'melhoraria a variabilidade cardíaca', etc. Algumas estudos piloto existem, muitas vezes em amostras muito pequenas; os resultados são interessantes mas longe de fazer consenso. Sendo honesto, pode-se dizer que o *humming* acalma e relaxa muitas pessoas que o praticam - e deixar as alegações médicas à medicina.

Um ritual de três minutos, em casa

Eis uma maneira muito simples de o fazer, como se tomasse uma infusão:

  1. Encontrar uma posição estável. Sentada numa cadeira ou em tailleur, costas direitas sem rigidez, ombros relaxados, mãos nas coxas. Olhos fechados se for confortável.
  2. Duas respirações naturais, sem mudar nada, para chegar.
  3. Inspirar pelo nariz, tranquilamente, sem forçar.
  4. Expirar pelo nariz, boca fechada, deixando sair um mmm grave e longo - tão grave quanto o que vem naturalmente, sem forçar a voz.
  5. Recomeçar cinco a dez ciclos. Cada expiração pode durar 5 a 8 segundos, sem esforço.
  6. Terminar com duas respirações silenciosas, depois abrir os olhos, tomar um momento antes de se mover.

Tudo cabe em três minutos. Pode-se fazê-lo de manhã antes de abrir o computador, no final do dia antes do jantar, ou em preparação para um tempo de meditação mais longo.

Precauções e bom senso

  • Se estiver resfriado ou sofrendo de sinusite, o humming pode ser desconfortável; espere até se sentir melhor.
  • Nunca force a voz. Um mmm forçado, mantido muito alto ou muito forte, fadiga as cordas vocais. Procura-se uma vibração confortável, não uma performance.
  • Esta prática é um ritual de relaxamento, em acompanhamento do bem-estar - não um tratamento para a ansiedade, a insônia ou uma dor. Se um destes assuntos o preocupa, em complemento, não em substituição - consulte um profissional de saúde.

O que é bonito com o humming é que não pede nada: nem material, nem sala, nem música. Lembra que a primeira vibração que pode nos pôr, já a fabricamos - na garganta, no peito, na cabeça, cada vez que cantamos enquanto cozinhamos sem pensar nisso.

Artigo produzido por inteligência artificial, revisto sob controlo editorial humano.

A nossa redação
Este artigo foi-lhe útil?

2 pessoas gostaram deste artigo

Gosto
Y
Yuna SatoTerapeuta sonoro
Exploradora de sons que acalmam: bols, frequências, ambientes.
Partilhar:
LIVERadio Hibiki Zen
Toca para ouvir, o mesmo som para todos
0··
// Programa
// all stations
// partilhar uma faixa →
Secções
Explorar
Informações