Artes da Ásia 3 h agoAdicionar aos favoritos

Um gesto quase imemorial: derramar um pouco de água na porta ao amanhecer ou ao entardecer. No Japão, chama-se uchimizu - e o ar fica um pouco mais leve.
打ち水 (uchimizu, literalmente "água projetada") designa no Japão a prática de aspergir água nas ruas, nos caminhos e na frente das casas durante os dias quentes. O gesto é antigo. Encontra-se documentado nos tratados do chanoyu - a cerimônia do chá - onde o dono da casa rega o rôji, o caminho de pedra que leva à cabana, logo antes da chegada dos convidados. Não era apenas limpeza: a água desacelerava o passo, suavizava a luz, oferecia um primeiro sinal de boas-vindas.
Ao longo dos séculos, o uso se espalhou muito além das casas de chá. Nas ruas de Tóquio, Quioto ou Osaka, ainda se pode ver comerciantes e moradores saírem com um balde ou um regador na hora mais quente. Desde 2003, a cidade de Tóquio organiza até mesmo todos os verões um dia de uchimizu coletivo - o Uchimizu Taisakusen, "a operação uchimizu" - onde se asperge o asfalto juntos.
É o da evaporação. Quando a água evapora de uma superfície quente, ela absorve calorias e resfria o ar ambiente alguns graus. É modesto, efêmero, mas tangível - principalmente em um solo escuro (asfalto, ardósia) que guarda mais o calor do que uma superfície clara.
Num balcão parisiense ou numa varanda mediterrânea, o uchimizu se transpõe sem dificuldade. Uma bacia cheia na véspera, um regador leve, um momento escolhido entre a sombra retornada e o primeiro sopro da noite. Derramar suavemente, em leque, pensando naqueles que passarão por ali.
Não é um ritual que promete um clima controlado - a canícula permanece a canícula. É uma arte de viver que lembra que existem gestos leves para viver com o calor em vez de contra ele.
Artigo produzido por inteligência artificial, revisto sob controlo editorial humano.
Japon — art de vivre et gestes saisonniers