Os quatro princípios do Chadō - wa, kei, sei, jaku, o que o caminho do chá nos ensina

Nesta série : Japon — art de vivre et gestes saisonniers· Etapa 5/5

Artes da ÁsiaReservado a assinantes 1 h agoAdicionar aos favoritos

Os quatro princípios do Chadō - wa, kei, sei, jaku, o que o caminho do chá nos ensina

Harmonia, respeito, pureza, serenidade: quatro palavras colocadas pelo mestre Sen no Rikyū no século XVI continuam a organizar o caminho japonês do chá - e, se ouvirmos bem, nossa própria maneira de estar no mundo.

Quatro ideogramas para sustentar uma vida

O Chadō (茶道, « a via do chá ») não se resume a preparar e beber matcha. É uma prática codificada, transmitida desde o século XVI, onde cada gesto - desde a recepção do convidado até o recolhimento da colher - é uma oportunidade de exercer uma certa qualidade de presença. O mestre Sen no Rikyū (1522-1591), que fixou a forma mais despojada da cerimônia no estilo wabi-cha, anexou quatro princípios considerados desde então como seu alicerce ético: 和 wa (harmonia), 敬 kei (respeito), 清 sei (pureza), 寂 jaku (serenidade). Em japonês, fala-se de wakei-seijaku (和敬清寂). Quatro caracteres que podem ser lidos separadamente - e vividos juntos.

和 - Wa, a harmonia

Wa designa o acordo entre os seres e as coisas. Na sala de chá, isso começa muito cedo: o anfitrião prepara o espaço harmonizando as flores com a estação, a tigela com o tema do dia, a luz com o momento. Nada busca brilhar sozinho. Não se escolhe a tigela mais bonita; escolhe-se aquela que combina - com o convidado, com a estação, com o silêncio de novembro ou o calor de agosto.

Essa harmonia não é fusão. Cada um mantém seu lugar - o anfitrião permanece anfitrião, o convidado permanece convidado, a chaleira não imita a flor. Wa é essa maneira de ajustar sem esmagar. Em casa, pode-se praticá-la antes mesmo de tirar uma tigela: olhar a mesa, retirar o objeto a mais, deixar duas ou três coisas respirar.

敬 - Kei, o respeito

O respeito que o Chadō cultiva não é nem cerimonioso nem distante: é uma atenção concreta. Respeitar a tigela é segurá-la com as duas mãos. Respeitar o convidado é apresentar-lhe o lado decorado da tigela. Respeitar os gestos dos antigos é repetir o mesmo movimento da colher até que o corpo saiba a medida.

Sen no Rikyū ensinava que a porta baixa de entrada (nijiriguchi) obrigava todos - samurai e camponês - a se inclinar para entrar. Dentro, não há mais hierarquias. O respeito era dado horizontalmente. É uma lição discreta sobre o que significa ser educado quando se retira o decoro: dar espaço ao outro, sem hierarquizá-lo.

清 - Sei, a pureza

Sei é a limpeza - mas entendida como uma arte. Antes da cerimônia, o anfitrião limpa o jardim, seca as pedras do caminho (roji), enxágua as tigelas, dobra os panos. Essa limpeza não é preparatória: já faz parte da cerimônia. Não se limpa para estar pronto - limpa-se para se tornar, a si mesmo, disponível.

Essa pureza não tem nada de moral. Está mais próxima da ideia de « o que não atrapalha mais ». Um pano dobrado com cuidado, uma chaleira seca por dentro, um pensamento depositado antes de entrar: tudo isso faz parte do mesmo gesto. Em casa, a prática começa no balcão da cozinha antes de fazer o chá - não porque se precise ser irrepreensível, mas porque a clareza do espaço cria a clareza da atenção.

寂 - Jaku, a serenidade

Jaku é o mais difícil de traduzir. Pode-se ouvir « calma », « tranquilidade », mas também uma nuance mais profunda, próxima do silêncio dos grandes paisagens de inverno: uma paz que não é ausência de barulho, mas presença plena. É o fruto dos três primeiros princípios. Quando a harmonia está ajustada, o respeito vivido e a pureza depositada, o silêncio que resta não está vazio - está habitado.

Muitos praticantes dizem que jaku não é algo que se busca: é o que vem, quase sem que se perceba, quando se trabalhou o suficiente os outros três. Um pouco como quando se para de correr atrás do sono e ele chega.

O que a via do chá pode nos lembrar

Pode-se viver sem nunca segurar um chasen (o batedor de matcha). Mas essas quatro palavras, quando se deixa que infundam, colorem de maneira diferente muitos gestos simples: servir um café a alguém, preparar uma mesa para dois, limpar antes de receber. Elas lembram que uma arte de viver não precisa ser espetacular para ser exigente. Basta que o gesto seja feito - realmente feito, até o fim - com a ideia de que o outro, a coisa, o momento, merecem que se esteja todo neles.

A tradição relata que Rikyū resumia a cerimônia do chá a pouca coisa: aquecer água, preparar o chá, corretamente. A correção, aqui, não tem nada de chato: é o lugar onde wakei-seijaku encontra seu corpo.

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Artigo produzido por inteligência artificial, revisto sob controlo editorial humano.

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Liang WeiArtes da Ásia & arte de viver
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