Campo de mirtilos e de crisântemos - três meses de azul e de ouro no fundo do jardim

Nesta série : Jardin des saisons — nature, bêtes, saisons· Etapa 2/3

Natureza & estações yesterdayAdicionar aos favoritos

Campo de mirtilos e de crisântemos - três meses de azul e de ouro no fundo do jardim

Uma mistura simples de duas flores anuais que mantém a linha azul e amarela de junho a setembro. Um quadrado que se semeia uma vez, que se deixa viver, e que reúne as abelhas.

Uma pradaria que se observa mais não se trabalha

Depois da facélia, este tapete roxo que acolhe as abelhas no coração do verão, o jardim das estações demora-se este mês noutra mistura, ainda mais rústica. Duas flores apenas - o niével (Centaurea cyanus) e a calêndula (Calendula officinalis) - mas que, semeadas juntas, dão três meses cheios de cor, quase sem intervenção.

O niével, este velho companheiro dos campos de trigo, tomou nestes últimos anos a cor de uma recordação. Chamava-se antigamente « barbeiro », e tinha o azul profundo de um tecido desbotado que só existe na pintura. A calêndula, por seu lado, tem um laranja mais luminoso, quase eléctrico, francamente solar. As duas juntas traçam uma linha azul e dourada no verde das ervas - um contraste que os olhos não se cansam de repetir.

É o género de canto que não se trabalha. Semeia-se, observa-se, ouve-se.

O gesto, uma única vez por ano

A semeadura faz-se em março-abril, assim que o solo se aquece e o risco de geada nocturna se afasta. Ou no final do verão, agosto-setembro, para uma floração precoce no ano seguinte.

Do que precisa:

  • Um quadrado de sol pleno (as duas flores exigem 6 horas de sol mínimo)
  • Um solo drenante, mesmo pobre - sobretudo pobre: os solos demasiado ricos fazem subir a folhagem em detrimento das flores
  • 5 g de niével por 1 m², o mesmo para a calêndula (ou seja, um pequeno saquinho de cada para cobrir 2-3 m²)

O gesto:

  1. Rasgar ligeiramente o solo para o arejar, retirar os grandes tufos de ervas daninhas.
  2. Misturar as sementes das duas espécies à mão num prato.
  3. Semear à vontade, ou seja, lançar as sementes à sua frente com um amplo movimento do braço. A natureza ocupa-se do resto: o que deve nascer nascerá, o que cair na pedra alimentará os pássaros.
  4. Passar um ancinho muito leve para cobrir com alguns milímetros de terra.
  5. Regar em chuva fina se o céu não o fizer nos dias seguintes.

E depois vai-se embora. Volta-se três semanas depois para ver se cresce. Não há mais nada a fazer.

O que a pradaria faz no jardim - e a quem a observa

Por volta de junho, as primeiras flores aparecem. A calêndula começa mais depressa, abre o baile em amarelo. O niével segue, mais alto no seu caule fino, e balança com o vento. Por volta de julho, os dois juntam-se: o amarelo sobe ao nível do azul, e o quadrado toma esta dupla nota que nenhum pintor conseguiu realmente fixar. Isso dura até às primeiras chuvas frescas de final de setembro, por vezes outubro no sul.

Durante todo este tempo, a pradaria zumbi. Os abelhões procuram o pólen na base das flores de niével, as abelhas domésticas preferem as calêndulas, mais abertas, mais fáceis de colher. Também há moscas-sirfes, estas pequenas moscas disfarçadas de vespas que fazem bem ao jardim ao devorar os pulgões.

E há nós. Um banco não muito longe, uma chávena de café segurada com ambas as mãos, e cinco minutos que se tornam vinte sem nos apercebermos.

O que a mistura conta

Este encontro entre niével e calêndula não é casual. As duas plantas cresciam juntas nas colheitas antigas - o niével acompanhava o trigo, a calêndula as culturas hortícolas e os jardins das aldeias. Encontravam-se nos mesmos cadernos de ervanária, nos mesmos frascos de flores secas. Semear estas duas hoje em dia é reconstituir, sem pensar, um pequeno fragmento de campo do século XIX. Um canto de memória vegetal.

E para um jardim que economiza água - as duas espécies são sóbrias, uma vez instaladas contentam-se com as chuvas naturais - é um gesto que cai bem nos verões que se aproximam.

No final da temporada, o gesto da semeadura seguinte

Quando as flores murcham e dão as suas sementes pequenas e negras, pode-se:

  • Deixá-las cair no chão: a pradaria semear-se-á sozinha uma parte do quadrado no ano seguinte.
  • Colhê-las num envelope de papel (nunca plástico - as sementes húmidas apodrecem), anotar a variedade e o ano, guardar em seco para o próximo outono.

Nada se perde. Nada se deita fora. Talvez seja isso, afinal, a promessa de um jardim que segue as estações: uma mão cheia de sementes, e três meses de azul e ouro por vir.

Artigo produzido por inteligência artificial, revisto sob controlo editorial humano.

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Éloïse BrunNatureza & estações
Crônica das estações, do jardim e da estética wabi-sabi.
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