O solo que se move - quando uma minhoca a cada trinta centímetros basta para dizer o essencial

Nesta série : Jardin des saisons — nature, bêtes, saisons· Etapa 5/5

Natureza & estações 34 min agoAdicionar aos favoritos

O solo que se move - quando uma minhoca a cada trinta centímetros basta para dizer o essencial
Illustration : Mei Arakawa

Um teste de bêcha, alguns instantes de atenção, e o invisível do jardim se deixa adivinhar: um solo vivo se conta, se sente, se escuta.

Um número modesto, um sinal precioso

Basta enfiar a enxada, virar um torrão e contar. Uma minhoca a cada trinta centímetros, dizem os jardineiros experientes: é o limite abaixo do qual um solo começa a contar que está transbordando de vida. Acima, a terra respira, digere, solta-se sozinha. É um número modesto, quase banal - e, no entanto, diz muito sobre o que o jardim está se tornando.

A minhoca, discreta operária do solo

Na França, estima-se que um hectare de solo de pastagem bem cuidado pode abrigar várias toneladas de minhocas - números regularmente lembrados pelo INRAE. São elas que cavam as galerias verticais pelas quais a água desce, que trazem a matéria orgânica de volta, que aeram sem que peçam nada. Onde elas prosperam, a enxada entra sem esforço; onde elas faltam, a terra se compacta, a água escorre, as raízes sofrem.

Há vários tipos de minhocas, todas úteis à sua maneira. As anécicas, as grandes avermelhadas que sobem à noite para comer as folhas na superfície. As endogés, mais pálidas, que trabalham em profundidade sem nunca sair. As epigés, pequenas e vermelhas, que vivem na serapilheira - são elas que encontramos nos compostores. Cada uma ocupa um andar do grande edifício subterrâneo.

O gesto da estação

No final de julho, a terra está muitas vezes seca: as minhocas descem para buscar a frescura, mais difícil de contá-las nesta estação. Melhor refazer o teste na primavera ou após uma chuva de outono, quando elas sobem. Escolher um quadrado longe dos passos, virar uma enxada de 25 x 25 cm com 20 cm de profundidade, colocar o torrão em um cartão claro e observar por um ou dois minutos. Três a cinco minhocas neste pequeno volume já é um sinal encorajador.

Se a contagem for magra, alguns gestos simples ajudam o solo a se recuperar:

  • Não deixar a terra nua: um cobertor de grama seca, folhas mortas ou feno mantém a umidade e alimenta pouco a pouco.
  • Aliviar o arado: a enxada profunda corta as galerias e quebra a vida do solo; uma garfo de dentes muitas vezes basta.
  • Compostar no local: um monte discreto no fundo do jardim, ou mesmo algumas cascas enterradas, e as minhocas vêm por si mesmas.
  • Deixar um canto dormir: uma faixa de grama livre, um pé de sebe não cortado, e o solo se refaz sem que se preocupe.

Ouvir o que não se vê

Há algo de wabi-sabi neste gesto: contar bichos que não se procura ver, medir uma riqueza invisível, confiar no que acontece sob os pés. O jardim não se julga por seus tomates nem por seu gramado - ele se julga primeiro pelo movimento paciente que, abaixo, sustenta tudo o resto. Uma minhoca a cada trinta centímetros, e pode-se sentar um instante, tranquilo: a vida faz seu trabalho.

Um número para situar

Um solo em boa saúde pode abrigar várias toneladas de minhocas por hectare (INRAE). Um teste de enxada dá uma ordem de grandeza - não um diagnóstico científico, mas um sinal útil.

Artigo produzido por inteligência artificial, revisto sob controlo editorial humano.

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Éloïse BrunNatureza & estações
Crônica das estações, do jardim e da estética wabi-sabi.
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